O PDRN passou rapidamente dos tratamentos de medicina estética para os séruns, cremes e máscaras de skincare. Em Portugal, já é possível encontrar produtos com PDRN na Wells, Sephora e em várias lojas de cosmética coreana, muitas vezes acompanhados de promessas de maior firmeza, elasticidade, luminosidade, regeneração e redução de rugas.
A pergunta mais útil, porém, não é se o PDRN está na moda. É outra: quando aparece num cosmético aplicado sobre a pele, há evidência suficiente para acreditar que funciona?
A resposta tornou-se mais interessante em 2026.
Já existe um estudo humano controlado com uma formulação tópica específica de PDRN que apresentou resultados promissores. Mas isso não significa que qualquer sérum onde apareça “PDRN”, “salmon DNA” ou “1% PDRN” vá produzir os mesmos efeitos.
E essa diferença é precisamente o que importa perceber antes de comprar.
Resposta rápida: vale a pena comprar um sérum com PDRN?
O PDRN é um ingrediente promissor, mas a evidência para cosméticos tópicos ainda é relativamente recente e limitada.
Um estudo publicado em julho de 2026 encontrou melhorias interessantes em rugas perioculares, firmeza e elasticidade com um creme contendo 0,1% de uma preparação específica chamada PDRN-850K. O problema é que estes resultados não podem ser automaticamente transferidos para todos os cosméticos com PDRN disponíveis nas lojas.
Por isso, um sérum com PDRN pode fazer sentido se a fórmula completa for boa, o preço for razoável e responder às necessidades da sua pele. Ainda não há, porém, razões suficientes para abandonar ingredientes mais estabelecidos ou pagar um grande prémio apenas porque a embalagem destaca PDRN.
O que é exatamente o PDRN?
PDRN significa polydeoxyribonucleotide, ou polidesoxirribonucleótido. Trata-se, de forma simplificada, de fragmentos formados por cadeias de desoxirribonucleótidos — os componentes do ADN.
Historicamente, muitas das preparações estudadas em medicina regenerativa são obtidas a partir de material reprodutivo de salmão ou truta e posteriormente submetidas a processos de extração e purificação.
Mas há um detalhe importante quando se passa da literatura científica para a prateleira da cosmética.
Na lista de ingredientes de um sérum, poderá não encontrar a palavra “PDRN”. É frequente aparecer Sodium DNA, um ingrediente reconhecido na nomenclatura cosmética como sal de sódio do ADN. Também existem fórmulas que incluem Hydrolyzed DNA ou outras variantes relacionadas.
Isto cria uma primeira dificuldade: ler “Sodium DNA” na lista de ingredientes não revela, por si só, o tamanho dos fragmentos de ADN, a sua origem, pureza, concentração efetiva ou se correspondem ao mesmo material utilizado num determinado estudo.
É precisamente por isso que dois séruns que anunciam PDRN na frente da embalagem podem ser bastante diferentes.
PDRN injetável e PDRN num sérum não são a mesma coisa
Grande parte da reputação do PDRN nasceu fora da cosmética convencional.
PDRN e polinucleótidos têm sido estudados em contextos de cicatrização, regeneração de tecidos e medicina estética, incluindo tratamentos administrados por injeção.
Mas uma injeção e um sérum enfrentam problemas completamente diferentes.
Quando um produto é injetado, ultrapassa diretamente a barreira exterior da pele. Um cosmético aplicado à superfície tem primeiro de lidar com o estrato córneo, cuja função é precisamente dificultar a entrada de substâncias.
Por isso, não é cientificamente correto encontrar bons resultados com PDRN injetável e concluir automaticamente que um sérum comprado numa perfumaria produzirá os mesmos efeitos.
A própria literatura científica tem reconhecido esta diferença. Até recentemente, uma das grandes questões em aberto era precisamente saber até que ponto moléculas de PDRN aplicadas topicamente conseguiriam chegar a zonas biologicamente relevantes da pele.
O estudo de 2026 que tornou o PDRN tópico mais interessante
Em julho de 2026 foi publicado na revista PLOS One um estudo particularmente relevante porque não testou uma injeção: testou uma fórmula tópica.
Os investigadores utilizaram uma preparação denominada PDRN-850K, extraída de salmão, com pureza igual ou superior a 96%, fragmentos com cerca de 1200 pares de bases em média e peso molecular médio não superior a 850 kDa.
Na parte clínica participaram 31 mulheres chinesas entre os 35 e os 55 anos, com uma média de aproximadamente 47,5 anos e pele que as próprias participantes classificavam como sensível.
O desenho foi interessante: cada participante aplicou, duas vezes por dia durante 28 dias, um creme de olhos com 0,1% PDRN-850K num lado do rosto e 0,1% de retinol no outro, utilizando fórmulas com a mesma base. O uso de proteção solar durante o dia era obrigatório.
Ao fim de 28 dias, o lado tratado com PDRN-850K apresentou melhorias superiores em vários parâmetros avaliados instrumentalmente.
Na análise das rugas de pés-de-galinha, por exemplo, a área e o número de rugas diminuíram aproximadamente 20% a 23% com PDRN-850K, contra cerca de 6% a 7% com retinol. Os investigadores também observaram melhorias superiores na firmeza, elasticidade, espessura e densidade dérmica.
Não foram relatadas reações adversas durante o estudo.
São resultados suficientemente interessantes para justificar atenção ao ingrediente.
Mas ainda não justificam a conclusão “PDRN é melhor do que retinol”.
Porque é preciso ter cuidado com estes resultados
Há várias razões.
A primeira é o tamanho do estudo: 31 pessoas continua a ser uma amostra pequena.
A segunda é a duração. Foram apenas 28 dias, enquanto alterações estruturais importantes associadas a ingredientes como retinoides costumam ser avaliadas durante períodos bastante mais longos.
Os próprios investigadores reconhecem que parte das alterações iniciais observadas na espessura da pele poderá refletir hidratação ou um efeito temporário de preenchimento.
Também foi estudada apenas a zona periocular, numa população específica de mulheres chinesas entre os 35 e os 55 anos. Não sabemos se os mesmos números apareceriam no rosto inteiro, noutras idades, noutros tipos de pele ou após seis meses de utilização.
Há ainda uma limitação particularmente interessante.
Os investigadores realizaram análises destinadas a perceber a penetração do produto na pele, mas o estudo exploratório realizado diretamente numa pessoa envolveu apenas um voluntário. Além disso, os próprios autores reconhecem que a técnica utilizada não consegue distinguir inequivocamente PDRN aplicado externamente de todos os ácidos nucleicos naturalmente existentes na pele.
Ou seja: existe um sinal científico promissor. Ainda não existe uma resposta definitiva.
Um sérum com “1% PDRN” não é automaticamente melhor do que 0,1%
Este é talvez o detalhe mais importante para quem está a comparar produtos.
A Wells apresenta atualmente o Medicube PDRN Pink Peptide Serum como contendo “PDRN de salmão (1%)”.
É tentador fazer uma conta simples:
“Se o estudo obteve bons resultados com 0,1%, este sérum tem dez vezes mais.”
Essa conclusão não é válida.
O estudo não testou simplesmente “0,1% de qualquer PDRN”. Testou 0,1% de PDRN-850K, um material cuja origem, pureza, dimensão média das moléculas e características foram descritas pelos investigadores.
No Medicube, a lista de ingredientes inclui Sodium DNA, juntamente com niacinamida, péptidos, colagénio e vários outros componentes. A informação comercial consultada indica 1% de PDRN de salmão, mas isso não demonstra que esse material tenha as mesmas características moleculares do PDRN-850K.
Também não sabemos se a forma como a percentagem é calculada é diretamente comparável.

Além disso, concentração não é o único fator que determina o comportamento de um ingrediente tópico. A dimensão molecular, pureza, veículo, estabilidade da fórmula, interação com outros ingredientes e capacidade de chegar às camadas relevantes da pele também contam.
Portanto, o estudo com 0,1% PDRN-850K não valida automaticamente o sérum Medicube a 1% — nem permite afirmar que será dez vezes mais eficaz.
E o PDRN vegetal ou vegano?
A popularidade do ingrediente criou outra tendência: alternativas apresentadas como PDRN vegetal ou vegano.
Aqui também convém separar conceitos.
Em 2025 foi publicado um estudo sobre PDRN extraído de Saussurea involucrata, uma planta conhecida como snow lotus. Em modelos celulares de pele humana, os investigadores observaram aumento da proliferação e migração celular e alterações relacionadas com síntese de colagénio.
É uma investigação interessante, mas foi realizada em células, não num ensaio clínico de um sérum utilizado diariamente por pessoas.
Entretanto, algumas marcas começaram a utilizar tecnologias próprias com nomes como “Green Tea PDRN”.
A Innisfree, por exemplo, vende um sérum com uma alternativa vegana derivada de chá verde e apresenta resultados de um estudo de quatro semanas realizado em 32 pessoas.
Mas há um problema quando se tenta atribuir esses resultados ao PDRN vegetal: a mesma fórmula contém também 1% de Triple Retinol Complex, além de ácido hialurónico, péptidos e outros componentes.
É possível avaliar o desempenho do produto final. Não é possível concluir, a partir desse teste, que os resultados foram causados especificamente pelo chamado Green Tea PDRN.
Da mesma forma, ainda não há base suficiente para considerar automaticamente todas estas alternativas vegetais biologicamente equivalentes ao PDRN de salmão utilizado em estudos clínicos.
“Vegano”, neste caso, descreve uma característica importante do produto. Não é uma garantia de equivalência científica.
Produtos com PDRN que já se encontram em Portugal
Os preços abaixo foram consultados em 5 de setembro de 2026 e podem mudar com campanhas, stock ou retalhista.
| Produto | Preço observado | O que a marca ou loja destaca | O que convém saber |
|---|---|---|---|
| Medicube PDRN Pink Peptide Serum, 30 ml — Wells | 20,38 € em promoção; PVPR 22,90 € | PDRN de salmão a 1%, niacinamida, colagénio e cinco péptidos; firmeza, luminosidade e tom irregular | A lista inclui Sodium DNA, mas os resultados do estudo com 0,1% PDRN-850K não podem ser transferidos diretamente para esta fórmula |
| Anua PDRN Hyaluronic Acid Capsule 100 Serum, 30 ml — Sephora | 25 € | PDRN derivado de ADN de salmão, ácido hialurónico e colagénio; hidratação e luminosidade | A fórmula contém vários hidratantes e niacinamida. Mesmo que o produto funcione bem, não é possível atribuir todos os efeitos exclusivamente ao PDRN |
| COSRX 5 PDRN Collagen Intense Vitalizing Serum, 100 ml | 18,93 € em promoção | A marca fala em “5 PDRN”: salmão, centella, arroz, lactobacillus e sea grapes, além de colagénio | A lista inclui Sodium DNA e Hydrolyzed DNA. “5 PDRN” é uma forma própria de apresentar a tecnologia e não significa cinco ingredientes clinicamente equivalentes ao PDRN-850K |
| Innisfree Retinol Green Tea PDRN Firming Serum, 25 ml — Sephora | 36 € | Alternativa vegana Green Tea PDRN, combinada com 1% Triple Retinol Complex | Há resultados divulgados para o produto final, mas não é possível atribuí-los ao Green Tea PDRN isoladamente |
Esta comparação também mostra por que razão é difícil fazer um ranking simples de “melhores séruns PDRN”. Estamos a comparar tecnologias, concentrações declaradas, fontes e fórmulas muito diferentes.

Como escolher um cosmético com PDRN sem comprar apenas a tendência
Comece pelo problema que pretende resolver.
Se a pele está desidratada, talvez um bom sérum hidratante seja suficiente, tenha ou não PDRN. Se existem manchas, firmeza reduzida ou rugas, deve olhar para a fórmula completa e não apenas para a palavra impressa na frente da embalagem.
Se está a descobrir estes produtos através da K-beauty, também vale a pena resistir à tentação de acrescentar várias novidades ao mesmo tempo. Uma rotina de skincare coreana não precisa de dez passos para funcionar.
Ao comparar dois produtos com PDRN, procure perceber:
- A origem está identificada? Salmão, planta ou tecnologia proprietária são coisas diferentes.
- A concentração é explicada? Uma percentagem grande impressiona, mas só é útil se soubermos exatamente o que está a ser medido.
- Que outros ingredientes fazem parte da fórmula? Niacinamida, retinoides, glicerina, ácido hialurónico, péptidos ou antioxidantes podem contribuir bastante para o resultado.
- O preço continua a fazer sentido sem a palavra PDRN? Esta é uma excelente pergunta para evitar pagar pela tendência.
- Há estudos sobre o produto final ou apenas sobre o ingrediente em abstrato? São níveis de evidência muito diferentes.
Para uma pele madura, seca, sensibilizada ou com a barreira fragilizada, acrescentar continuamente novos ativos pode ser menos eficaz do que primeiro recuperar conforto e consistência na rotina.
PDRN deve substituir retinol, vitamina C ou outros ingredientes?
Neste momento, não existe uma boa razão para fazer essa troca apenas porque PDRN é novidade.
Se utiliza um retinoide que a sua pele tolera bem e que responde aos seus objetivos, não precisa de o abandonar. Se está a ponderar começar, veja também como introduzir um produto com retinol na rotina sem acumular ativos desnecessariamente.
O mesmo acontece com a niacinamida, vitamina C, hidratantes ou outros produtos que já funcionam.
E nenhum sérum PDRN substitui proteção solar.
Na realidade, o próprio estudo que apresentou resultados favoráveis ao PDRN exigia que todas as participantes utilizassem proteção solar durante o dia.
Um ingrediente novo deve resolver um problema na rotina, não criar a obrigação de reconstruir tudo.
O que ainda falta saber sobre PDRN em cosméticos
Apesar do entusiasmo atual, continuam por responder questões muito básicas.
Ainda não sabemos qual é a concentração ideal para diferentes tipos de PDRN tópico, que dimensões moleculares são mais relevantes, até que ponto as várias fórmulas penetram na pele intacta ou quais os resultados após seis meses ou um ano de utilização.
Também precisamos de estudos independentes que reproduzam os resultados do PDRN-850K em populações maiores e diferentes.
Falta comparar produtos comerciais concretos com fórmulas de referência e perceber se as alternativas vegetais produzem realmente efeitos semelhantes aos materiais derivados de salmão.
E falta, sobretudo, deixar de tratar “PDRN” como se fosse um ingrediente absolutamente uniforme.
Dois produtos podem usar esse nome e ter pouco mais em comum do que o argumento de marketing.
Então, PDRN vale a pena?
Pode valer — mas ainda não é um ingrediente obrigatório.
Se encontrar um sérum com uma fórmula equilibrada, preço razoável e ingredientes que fazem sentido para a sua pele, a presença de PDRN pode ser um elemento adicional interessante.
O estudo tópico publicado em 2026 é suficientemente promissor para não descartarmos o ingrediente como simples moda.
Mas é demasiado cedo para concluir que qualquer cosmético com PDRN regenera a pele, produz os mesmos efeitos que um tratamento injetável ou supera ingredientes cuja utilização está sustentada por décadas de investigação.
Se estiver entre dois séruns semelhantes e um custa muito mais apenas porque tem PDRN escrito em letras grandes, não há ainda evidência suficiente para justificar automaticamente esse prémio.
A melhor leitura, por enquanto, é esta: PDRN deixou de ser apenas uma promessa interessante, mas ainda não se tornou uma certeza aplicável a todos os cosméticos que usam o nome.
Perguntas frequentes
O que significa PDRN nos cosméticos?
PDRN significa polidesoxirribonucleótido e refere-se a fragmentos constituídos por unidades de ADN. Nos cosméticos podem surgir ingredientes como Sodium DNA, mas a lista INCI, por si só, não permite saber se o material corresponde exatamente ao PDRN utilizado num determinado estudo.
PDRN é esperma de salmão?
Muitas preparações tradicionais de PDRN são extraídas de material reprodutivo de salmão ou truta e posteriormente purificadas. O ingrediente utilizado no produto final é uma fração purificada de ADN, não o material biológico bruto.
PDRN num sérum funciona mesmo?
Existe já evidência humana promissora para uma formulação tópica específica com 0,1% PDRN-850K. Ainda não existem dados suficientes para assumir que todos os séruns comercializados como PDRN produzam os mesmos resultados.
PDRN vegetal é igual ao PDRN de salmão?
Não está demonstrado. Já existe investigação laboratorial interessante com PDRN derivado de plantas, mas ainda falta evidência clínica suficiente para afirmar que todas as alternativas vegetais produzem efeitos equivalentes ao PDRN de salmão estudado.
Um sérum com 1% PDRN é melhor do que um com 0,1%?
Não necessariamente. A concentração não pode ser interpretada isoladamente. Origem, pureza, peso molecular, formulação, estabilidade e forma como a percentagem é calculada também são importantes.
PDRN pode substituir o retinol?
Não há evidência suficiente para recomendar essa substituição de forma geral. Se utiliza retinol e a sua pele o tolera bem, a chegada do PDRN ao mercado não é motivo para deixar de o utilizar.



