Bem-estar

Eclipse solar de 12 de agosto em Portugal: os óculos de sol não protegem os olhos

Eclipse solar de 12 de agosto de 2026 em Portugal: consulte os horários e saiba como observar o Sol em segurança e proteger os olhos.

eclipse solar 12 de agosto Portugal

Atualização: O eclipse ocorreu em 12 de agosto de 2026. Este guia permanece disponível como referência sobre observação solar segura e sobre os cuidados a ter depois de uma exposição sem proteção adequada.

O eclipse solar de 12 de agosto em Portugal já terminou, mas as regras de segurança continuam importantes — sobretudo para quem observou o fenómeno e ficou com dúvidas sobre a proteção utilizada ou sobre possíveis alterações na visão. Óculos de sol normais não são adequados para olhar diretamente para o Sol, mesmo que sejam muito escuros ou polarizados.

O eclipse foi particularmente intenso em Portugal. No Porto, a ocultação chegou a cerca de 98% e, em Lisboa, a aproximadamente 95%. Fora da pequena zona de totalidade no Parque Natural de Montesinho, não houve nenhum momento em que fosse seguro olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada.

O essencial para observar um eclipse em segurança

Para observar diretamente o eclipse, use apenas óculos próprios para observação solar, em bom estado, que cumpram a norma internacional ISO 12312-2 e tenham marcação CE. O Governo português reforçou esta recomendação nas indicações de segurança publicadas para o eclipse.

Óculos de sol não servem. Também não deve improvisar com vidro fumado, radiografias, filtros coloridos, vidro de soldador ou outros materiais que pareçam escurecer suficientemente o Sol. A Escola Superior de Saúde do P.PORTO alerta expressamente contra estas alternativas e recomenda proteção solar apropriada.

Infografia com recomendações de segurança para observar o eclipse solar, incluindo o que pode e não pode ser usado
Como observar o eclipse solar em segurança: óculos próprios e métodos de projeção são adequados; óculos de sol e filtros improvisados não são. Infografia ilustrativa criada com IA, com informação baseada no Governo de Portugal, NASA, Planetário do Porto e ESS P.PORTO.

Antes de usar os óculos de eclipse, verifique ainda se apresentam riscos, rasgões, furos ou outros danos. Coloque-os antes de dirigir os olhos para o Sol e só os retire depois de voltar a desviar completamente o olhar.

Olhou para o Sol sem proteção: a ausência de dor não significa que esteja tudo bem

Um dos problemas das lesões provocadas pela observação solar é precisamente poderem ocorrer sem dor imediata.

A exposição pode provocar retinopatia solar e algumas alterações só se tornam evidentes horas ou mesmo dias depois. Visão turva ou distorcida, manchas ou pontos escuros no campo visual, alterações na perceção das cores ou diminuição da visão são sinais que não devem ser ignorados.

Se observar alguma alteração visual depois de ter olhado diretamente para o Sol, procure aconselhamento médico rapidamente, através dos serviços de saúde adequados.

A que horas ocorreu o eclipse em Portugal?

O fenómeno ocorreu ao final da tarde de 12 de agosto de 2026 e prolongou-se durante aproximadamente duas horas. Os horários variaram ligeiramente consoante a localização.

Segundo os horários de referência divulgados pelo Planetário do Porto – Centro Ciência Viva:

Local Início Máximo Fim Ocultação
Bragança – Aeródromo 18h36 19h33 20h24 99,9%
Porto 18h34 19h32 20h25 98,1%
Coimbra 18h36 19h33 20h25 96,8%
Lisboa 18h38 19h34 20h24 94,9%
Faro 18h41 19h35 20h23 92,8%
Funchal 18h42 19h32 20h17 77,6%
Ponta Delgada 17h35 18h28 19h17 74,2%

Os valores podem variar ligeiramente entre fontes e consoante o ponto exato de observação. A NASA, por exemplo, indica para Lisboa um início pelas 18h39, máximo às 19h36 e fim às 20h29, com cerca de 95% do Sol coberto.

Durante o eclipse, o Sol encontrava-se já bastante baixo no céu no momento de maior ocultação, pelo que um horizonte desimpedido na direção oeste/noroeste era importante para a observação.

Porque é que uns óculos de sol muito escuros não chegam?

É fácil pensar que, se a luz parece suportável, o olho também está protegido. Não é assim.

Os óculos próprios para eclipses foram concebidos especificamente para reduzir a radiação solar a níveis adequados à observação direta. Uns óculos de sol convencionais, por muito escura que seja a lente, não são equivalentes a um filtro solar para observação do Sol. A NASA sublinha que os visualizadores solares adequados são milhares de vezes mais escuros do que óculos de sol comuns.

https://www.youtube.com/watch?v=S3wKzsbCw8M

O perigo também não desaparece porque quase todo o Sol está tapado. Durante um eclipse parcial, continua a existir uma parte da superfície solar diretamente visível e suficientemente intensa para causar lesões.

Por isso, 98% de ocultação não significa 98% de segurança.

E se tiver óculos de eclipse guardados em casa?

Não basta aparecer a inscrição “eclipse” na embalagem.

A recomendação oficial em Portugal é procurar óculos que cumpram a ISO 12312-2 e apresentem marcação CE. Além disso, devem estar intactos. Se as lentes estiverem riscadas, perfuradas, descoladas ou danificadas, não devem ser utilizadas.

O P.PORTO recomenda também que a proteção utilizada esteja em conformidade com o enquadramento aplicável do Regulamento (UE) 2016/425 e aconselha a recorrer a fontes reconhecidas para este tipo de equipamento.

Se não tem a certeza da origem ou estado dos seus óculos, é preferível optar por observação indireta do que improvisar.

Pode usar binóculos, telescópios ou uma máquina fotográfica?

Aqui é necessário ainda mais cuidado.

Os óculos de eclipse destinam-se à observação direta a olho nu. Não tornam automaticamente seguro olhar através de binóculos, telescópios ou câmaras.

Estes equipamentos concentram a radiação solar. Precisam de filtros solares próprios, adequados ao equipamento e corretamente colocados na parte frontal da ótica. A NASA alerta explicitamente para não olhar através de uma câmara, telescópio ou binóculos usando apenas óculos de eclipse.

O mesmo princípio se aplica a fotografar ou filmar. O Governo português desaconselha apontar câmaras de smartphones, máquinas fotográficas, telescópios ou binóculos ao Sol sem filtros especializados.

Se não tem equipamento próprio nem experiência em fotografia solar, esta não é uma boa ocasião para improvisar filtros caseiros.

E as crianças?

Com crianças, a supervisão deve ser especialmente rigorosa.

Nas crianças mais velhas, explique primeiro como colocar e retirar os óculos e mantenha supervisão durante toda a observação. Um momento de distração é suficiente para a criança levantar os óculos ou olhar diretamente para o Sol.

Para crianças pequenas que não consigam seguir estas instruções de forma consistente, o Governo recomenda privilegiar métodos indiretos, como acompanhar uma transmissão do eclipse ou observar a projeção da imagem do Sol.

Não tem óculos próprios? Ainda pode ver o eclipse

Não ter conseguido comprar óculos de eclipse não significa que tenha de perder o fenómeno — e muito menos que deva tentar uma solução improvisada.

Uma das alternativas mais simples é a projeção por câmara escura ou pinhole.

Faz-se passar a luz do Sol através de um pequeno orifício e observa-se a imagem projetada numa superfície. O observador fica de costas para o Sol e olha apenas para a projeção.

Muito importante: o orifício não é uma lente. Nunca olhe para o Sol através dele.

A NASA recomenda este método como alternativa segura à observação direta.

Há ainda uma versão que praticamente não exige preparação: observe a sombra de uma árvore. Os pequenos espaços entre as folhas funcionam como inúmeras câmaras escuras naturais e, durante o eclipse, podem projetar no chão dezenas de pequenas imagens do Sol parcialmente ocultado.

Um escorredor com pequenos orifícios pode produzir um efeito semelhante, desde que seja utilizado apenas para projetar a luz e nunca para olhar diretamente para o Sol.

Houve algum local em Portugal onde foi possível retirar os óculos?

Há uma exceção muito pequena — literalmente.

O eclipse foi total apenas numa área extremamente restrita do Parque Natural de Montesinho, no nordeste de Portugal. A fase de totalidade durou menos de 30 segundos. No restante território, o eclipse foi parcial.

Só durante uma verdadeira fase de totalidade, quando o disco brilhante do Sol está completamente coberto pela Lua, pode ser seguro olhar momentaneamente sem proteção. Antes e imediatamente depois dessa fase, os óculos voltam a ser indispensáveis.

Para praticamente toda a população portuguesa, a regra é muito mais simples: mantenha a proteção sempre que olhar diretamente para o Sol durante o eclipse.

Mesmo em Bragança, uma ocultação de 99,9% continua a ser um eclipse parcial e exigiu óculos de proteção.

A escolha mais segura é também a mais simples

O eclipse de 12 de agosto de 2026 foi particularmente intenso em Portugal, com grande parte do disco solar ocultado pela Lua em praticamente todo o território continental.

Mas “quase todo” nunca significa que seja seguro olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada.

Para futuros eclipses ou qualquer observação direta do Sol, a regra continua a ser simples: utilize apenas óculos próprios para observação solar, intactos, conformes com a norma ISO 12312-2 e com marcação CE.

A NASA transmitiu o eclipse de 12 de agosto de 2026 em direto. A gravação completa pode ser vista abaixo.

https://www.youtube.com/watch?v=rSvCuSQhC3w

O que não deve fazer é transformar uns óculos de sol, uma radiografia, um pedaço de vidro ou outro material improvisado num filtro solar.

O eclipse dura cerca de duas horas. Uma lesão ocular pode durar muito mais.

Informação atualizada a 12 de agosto de 2026 com base nas recomendações do Governo de Portugal, Planetário do Porto – Centro Ciência Viva, Escola Superior de Saúde do P.PORTO e NASA.

Perguntas rápidas

Posso ver o eclipse com óculos de sol?

Não. Os óculos de sol convencionais, mesmo muito escuros ou polarizados, não oferecem proteção adequada para olhar diretamente para o Sol. Para observação direta devem ser usados óculos próprios para eclipses que cumpram a norma ISO 12312-2 e tenham marcação CE.

A que horas ocorreu o eclipse solar de 12 de agosto em Portugal?

Os horários variaram consoante a localização. No Porto, o eclipse começou aproximadamente às 18h34 e atingiu o máximo pelas 19h32. Em Lisboa, começou cerca das 18h38 e atingiu o máximo pelas 19h34.

Posso usar uma radiografia ou vidro fumado para ver o eclipse?

Não. Radiografias, vidro fumado, filtros coloridos, óculos de sol e outras soluções improvisadas não substituem filtros próprios para observação solar.

É possível ver o eclipse sem óculos especiais?

Sim, desde que não olhe diretamente para o Sol. Pode utilizar um método de projeção, como uma câmara escura ou pinhole, e observar a imagem do Sol projetada numa superfície.

O eclipse de 12 de agosto foi total em Portugal?

Apenas uma área muito restrita do Parque Natural de Montesinho esteve dentro da faixa de totalidade. No restante território português, o eclipse foi parcial, embora a ocultação tenha ultrapassado os 90% em grande parte de Portugal continental.

As crianças podem observar o eclipse?

As crianças mais velhas podem observar com proteção adequada e supervisão permanente de um adulto. Para crianças pequenas que possam retirar os óculos inadvertidamente, é preferível utilizar métodos indiretos de observação ou acompanhar uma transmissão.

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