Se esta tarde está a pensar olhar para o céu para acompanhar o eclipse solar de 12 de agosto em Portugal, há uma informação que deve saber antes de tudo o resto: óculos de sol normais não protegem os olhos, mesmo que sejam muito escuros ou polarizados.
O eclipse será particularmente intenso em Portugal. No Porto, a Lua deverá ocultar cerca de 98% do disco solar; em Lisboa, cerca de 95%. Mas um Sol 95%, 98% ou mesmo 99,9% coberto continua a ser perigoso para os olhos. Fora da pequeníssima faixa de totalidade no Parque Natural de Montesinho, não existe nenhum momento em que seja seguro olhar diretamente para o Sol sem proteção adequada.
O essencial antes de olhar para o eclipse
Para observar diretamente o eclipse, use apenas óculos próprios para observação solar, em bom estado, que cumpram a norma internacional ISO 12312-2 e tenham marcação CE. O Governo português reforçou esta recomendação nas indicações de segurança publicadas para o eclipse.
Óculos de sol não servem. Também não deve improvisar com vidro fumado, radiografias, filtros coloridos, vidro de soldador ou outros materiais que pareçam escurecer suficientemente o Sol. A Escola Superior de Saúde do P.PORTO alerta expressamente contra estas alternativas e recomenda proteção solar apropriada.

Antes de usar os óculos de eclipse, verifique ainda se apresentam riscos, rasgões, furos ou outros danos. Coloque-os antes de dirigir os olhos para o Sol e só os retire depois de voltar a desviar completamente o olhar.
A que horas é o eclipse hoje em Portugal?
O fenómeno acontece ao final da tarde deste 12 de agosto de 2026 e prolonga-se durante aproximadamente duas horas. Os horários variam ligeiramente consoante a localização.
Segundo os horários de referência divulgados pelo Planetário do Porto – Centro Ciência Viva:
| Local | Início | Máximo | Fim | Ocultação |
|---|---|---|---|---|
| Bragança – Aeródromo | 18h36 | 19h33 | 20h24 | 99,9% |
| Porto | 18h34 | 19h32 | 20h25 | 98,1% |
| Coimbra | 18h36 | 19h33 | 20h25 | 96,8% |
| Lisboa | 18h38 | 19h34 | 20h24 | 94,9% |
| Faro | 18h41 | 19h35 | 20h23 | 92,8% |
| Funchal | 18h42 | 19h32 | 20h17 | 77,6% |
| Ponta Delgada | 17h35 | 18h28 | 19h17 | 74,2% |
Os valores podem variar ligeiramente entre fontes e consoante o ponto exato de observação. A NASA, por exemplo, indica para Lisboa um início pelas 18h39, máximo às 19h36 e fim às 20h29, com cerca de 95% do Sol coberto.
Como o Sol estará já bastante baixo no céu no momento de maior ocultação, é importante ter um horizonte desimpedido na direção oeste/noroeste.
Porque é que uns óculos de sol muito escuros não chegam?
É fácil pensar que, se a luz parece suportável, o olho também está protegido. Não é assim.
Os óculos próprios para eclipses foram concebidos especificamente para reduzir a radiação solar a níveis adequados à observação direta. Uns óculos de sol convencionais, por muito escura que seja a lente, não são equivalentes a um filtro solar para observação do Sol. A NASA sublinha que os visualizadores solares adequados são milhares de vezes mais escuros do que óculos de sol comuns.
O perigo também não desaparece porque quase todo o Sol está tapado. Durante um eclipse parcial, continua a existir uma parte da superfície solar diretamente visível e suficientemente intensa para causar lesões.
Por isso, 98% de ocultação não significa 98% de segurança.
E se tiver óculos de eclipse guardados em casa?
Não basta aparecer a inscrição “eclipse” na embalagem.
A recomendação oficial em Portugal é procurar óculos que cumpram a ISO 12312-2 e apresentem marcação CE. Além disso, devem estar intactos. Se as lentes estiverem riscadas, perfuradas, descoladas ou danificadas, não devem ser utilizadas.
O P.PORTO recomenda também que a proteção utilizada esteja em conformidade com o enquadramento aplicável do Regulamento (UE) 2016/425 e aconselha a recorrer a fontes reconhecidas para este tipo de equipamento.
Se não tem a certeza da origem ou estado dos seus óculos, é preferível optar por observação indireta do que improvisar.
Pode usar binóculos, telescópios ou uma máquina fotográfica?
Aqui é necessário ainda mais cuidado.
Os óculos de eclipse destinam-se à observação direta a olho nu. Não tornam automaticamente seguro olhar através de binóculos, telescópios ou câmaras.
Estes equipamentos concentram a radiação solar. Precisam de filtros solares próprios, adequados ao equipamento e corretamente colocados na parte frontal da ótica. A NASA alerta explicitamente para não olhar através de uma câmara, telescópio ou binóculos usando apenas óculos de eclipse.
O mesmo princípio se aplica a fotografar ou filmar. O Governo português desaconselha apontar câmaras de smartphones, máquinas fotográficas, telescópios ou binóculos ao Sol sem filtros especializados.
Se não tem equipamento próprio nem experiência em fotografia solar, esta não é uma boa ocasião para improvisar filtros caseiros.
E as crianças?
Com crianças, a supervisão deve ser especialmente rigorosa.
Nas crianças mais velhas, explique primeiro como colocar e retirar os óculos e mantenha supervisão durante toda a observação. Um momento de distração é suficiente para a criança levantar os óculos ou olhar diretamente para o Sol.
Para crianças pequenas que não consigam seguir estas instruções de forma consistente, o Governo recomenda privilegiar métodos indiretos, como acompanhar uma transmissão do eclipse ou observar a projeção da imagem do Sol.
Não tem óculos próprios? Ainda pode ver o eclipse
Não ter conseguido comprar óculos de eclipse não significa que tenha de perder o fenómeno — e muito menos que deva tentar uma solução improvisada.
Uma das alternativas mais simples é a projeção por câmara escura ou pinhole.
Faz-se passar a luz do Sol através de um pequeno orifício e observa-se a imagem projetada numa superfície. O observador fica de costas para o Sol e olha apenas para a projeção.
Muito importante: o orifício não é uma lente. Nunca olhe para o Sol através dele.
A NASA recomenda este método como alternativa segura à observação direta.
Há ainda uma versão que praticamente não exige preparação: observe a sombra de uma árvore. Os pequenos espaços entre as folhas funcionam como inúmeras câmaras escuras naturais e, durante o eclipse, podem projetar no chão dezenas de pequenas imagens do Sol parcialmente ocultado.
Um escorredor com pequenos orifícios pode produzir um efeito semelhante, desde que seja utilizado apenas para projetar a luz e nunca para olhar diretamente para o Sol.
Existe algum local em Portugal onde se possa retirar os óculos?
Há uma exceção muito pequena — literalmente.
O eclipse será total apenas numa área extremamente restrita do Parque Natural de Montesinho, no nordeste de Portugal. A totalidade deverá durar menos de 30 segundos. No restante território, o eclipse é parcial.
Só durante uma verdadeira fase de totalidade, quando o disco brilhante do Sol está completamente coberto pela Lua, pode ser seguro olhar momentaneamente sem proteção. Antes e imediatamente depois dessa fase, os óculos voltam a ser indispensáveis.
Para praticamente toda a população portuguesa, a regra é muito mais simples: mantenha a proteção sempre que olhar diretamente para o Sol durante o eclipse.
Mesmo em Bragança, uma ocultação de 99,9% continua a ser um eclipse parcial e exige óculos de proteção.
Olhou para o Sol sem proteção: a ausência de dor não significa que esteja tudo bem
Um dos problemas das lesões provocadas pela observação solar é precisamente poderem ocorrer sem dor imediata.
A exposição pode provocar retinopatia solar e algumas alterações só se tornam evidentes horas ou mesmo dias depois. Visão turva ou distorcida, manchas ou pontos escuros no campo visual, alterações na perceção das cores ou diminuição da visão são sinais que não devem ser ignorados.
Se observar alguma alteração visual depois de ter olhado diretamente para o Sol, procure aconselhamento médico rapidamente, através dos serviços de saúde adequados.
A escolha mais segura é também a mais simples
O eclipse desta tarde será extraordinário precisamente porque, em grande parte de Portugal continental, quase todo o Sol ficará escondido pela Lua.
Mas “quase todo” não chega para tornar segura a observação direta.
Se tem óculos próprios, intactos, ISO 12312-2 e com marcação CE, use-os corretamente. Se não tem, observe através de projeção, procure uma atividade acompanhada por especialistas ou acompanhe uma transmissão em direto.
A NASA transmite o eclipse em direto a partir das 18h15 (hora de Portugal continental), com imagens de vários locais ao longo da faixa do eclipse e comentários de especialistas.
O que não deve fazer é transformar uns óculos de sol, uma radiografia, um pedaço de vidro ou outro material improvisado num filtro solar.
O eclipse dura cerca de duas horas. Uma lesão ocular pode durar muito mais.
Informação atualizada a 12 de agosto de 2026 com base nas recomendações do Governo de Portugal, Planetário do Porto – Centro Ciência Viva, Escola Superior de Saúde do P.PORTO e NASA.
Perguntas rápidas
Não. Os óculos de sol convencionais, mesmo muito escuros ou polarizados, não oferecem proteção adequada para olhar diretamente para o Sol. Para observação direta devem ser usados óculos próprios para eclipses que cumpram a norma ISO 12312-2 e tenham marcação CE.
Os horários variam consoante a localização. No Porto, o eclipse começa aproximadamente às 18h34 e atinge o máximo pelas 19h32. Em Lisboa, começa cerca das 18h38 e atinge o máximo pelas 19h34. O fenómeno prolonga-se aproximadamente até às 20h25 no continente.
Não. Radiografias, vidro fumado, filtros coloridos, óculos de sol e outras soluções improvisadas não substituem filtros próprios para observação solar.
Sim, desde que não olhe diretamente para o Sol. Pode utilizar um método de projeção, como uma câmara escura ou pinhole, e observar a imagem do Sol projetada numa superfície.
Apenas uma área muito restrita do Parque Natural de Montesinho estará dentro da faixa de totalidade. No restante território português o eclipse será parcial, embora a ocultação ultrapasse os 90% em grande parte de Portugal continental.
As crianças mais velhas podem observar com proteção adequada e supervisão permanente de um adulto. Para crianças pequenas que possam retirar os óculos inadvertidamente, é preferível utilizar métodos indiretos de observação ou acompanhar uma transmissão.



