TPO nos vernizes de gel: o que está proibido em Portugal e como verificar os produtos

O TPO foi proibido nos cosméticos em Portugal, mas isso não significa que as unhas de gel tenham sido proibidas. Saiba como verificar os produtos usados e reduzir o risco de alergia.

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Senta-se no salão, escolhe a cor e vê uma sucessão de frascos passar pela mesa. Base, gel de construção, verniz, top coat. Tudo parece normal — até surgir uma pergunta que, há pouco tempo, quase ninguém fazia: estes vernizes de gel têm TPO?

O tema voltou às notícias no verão de 2026 por causa das novas regras britânicas, mas em Portugal a proibição já está em vigor desde setembro de 2025. Portugal não proibiu as unhas de gel nem todas as manicures que precisam de lâmpada.

O que está proibido é um ingrediente específico chamado Trimethylbenzoyl Diphenylphosphine Oxide, mais conhecido pela sigla TPO.

Em Portugal e nos restantes países da União Europeia, os cosméticos com TPO deixaram de poder ser comercializados ou utilizados profissionalmente em 1 de setembro de 2025. A regra também se aplica a produtos comprados antes dessa data: não existe uma exceção para gastar embalagens antigas ou terminar o stock.

A atual vaga de notícias não anuncia uma nova proibição portuguesa. Serve, no entanto, como lembrete útil para confirmar se os produtos utilizados nos salões já cumprem as regras em vigor.

Em resumo: as unhas de gel continuam a ser permitidas. Os produtos cosméticos que contenham TPO é que já não podem ser vendidos nem utilizados profissionalmente em Portugal.

Porque é que se voltou a falar do TPO em 2026?

Embora o TPO já esteja proibido nos cosméticos em Portugal e na União Europeia desde 1 de setembro de 2025, o assunto voltou agora às notícias devido às alterações regulamentares no Reino Unido.

Na Grã-Bretanha, as novas restrições começam a produzir efeitos em agosto de 2026, seguindo um calendário de transição diferente do europeu. Esta diferença tem levado à publicação de notícias e vídeos que podem dar a impressão de que se trata de uma nova proibição aplicável também a Portugal.

Não é esse o caso.

Em Portugal, a regra já está em vigor desde 2025 e é mais direta: os produtos cosméticos com TPO não podem ser vendidos nem utilizados profissionalmente, mesmo quando pertencem a stock comprado antes da proibição.

Por isso, quando encontrar notícias recentes sobre “a proibição dos vernizes de gel”, convém verificar a que país se referem. As unhas de gel continuam permitidas tanto em Portugal como no Reino Unido; o que está em causa é a utilização de um ingrediente específico e os diferentes calendários adotados por cada mercado.

O que é o TPO e porque era usado nos vernizes de gel?

O TPO é uma substância que ajudava determinados produtos para unhas a endurecer quando eram expostos à luz de uma lâmpada UV ou LED.

Este tipo de ingrediente é conhecido como fotoiniciador: participa no processo que transforma o produto líquido ou maleável numa camada sólida e resistente sobre a unha.

O que é o TPO e porque era usado nos vernizes de gel?

Antes da proibição, o TPO estava autorizado na União Europeia apenas em sistemas profissionais para unhas artificiais, até uma concentração máxima de 5%. Não era um ingrediente destinado a qualquer cosmético nem a uma utilização doméstica indiscriminada.

O facto de ser eficaz na cura do gel explica porque aparecia em bases, géis de construção, vernizes de gel, top coats e outros produtos profissionais. Também explica porque a alteração obrigou muitas marcas e salões a rever fórmulas e substituir stock.

Desde quando está o TPO proibido em Portugal?

A proibição aplica-se desde 1 de setembro de 2025.

A partir dessa data, os produtos cosméticos com TPO:

  • não podem ser colocados à venda;
  • não podem ser adquiridos para utilização profissional;
  • não podem ser oferecidos ou cedidos gratuitamente;
  • não podem ser utilizados por nail artists ou salões em clientes;
  • não podem continuar a ser usados apenas porque foram comprados antes da proibição.

O Infarmed esclarece que os produtos com TPO deixaram de poder permanecer no circuito comercial e que os profissionais não os devem utilizar. A Comissão Europeia confirma igualmente que não existe um período de escoamento ou utilização do stock antigo.

Isto significa que uma profissional não pode continuar a aplicar um gel com TPO até a embalagem terminar, mesmo que o tenha comprado legalmente antes de setembro de 2025.

Também não deve vendê-lo, oferecê-lo a outra profissional ou usá-lo gratuitamente numa cliente.

Porque foi o TPO proibido?

O TPO foi classificado a nível europeu como uma substância tóxica para a reprodução da categoria 1B.

Esta classificação desencadeou a sua inclusão na lista de substâncias proibidas em produtos cosméticos, ao abrigo das regras europeias aplicáveis às substâncias classificadas como cancerígenas, mutagénicas ou tóxicas para a reprodução.

Não foi apresentado e aprovado um pedido de exceção que permitisse manter a utilização do TPO nos cosméticos. Por isso, a proibição passou a aplicar-se quando a nova classificação entrou em vigor.

É importante não interpretar esta classificação de forma alarmista.

Ela não permite concluir que uma única manicure de gel provoca infertilidade, que todas as pessoas anteriormente expostas sofreram danos ou que qualquer problema de saúde pode ser atribuído ao TPO.

A classificação descreve o perigo associado à substância e determina as regras que devem ser aplicadas aos cosméticos. O risco individual depende de fatores como concentração, forma de exposição, frequência e condições de utilização — e não pode ser calculado a partir de uma simples aplicação.

A decisão prática, no entanto, é clara: desde setembro de 2025, um produto cosmético com TPO não deve estar a ser usado num salão em Portugal.

Como saber se um verniz de gel contém TPO?

A forma mais direta é consultar a lista de ingredientes do produto.

Procure o nome:

Trimethylbenzoyl Diphenylphosphine Oxide

Pode estar escrito em letras muito pequenas, na embalagem exterior, no rótulo do frasco ou na documentação disponibilizada pelo fabricante.

Não basta procurar apenas a sigla “TPO”. Nas listas de ingredientes dos cosméticos são normalmente usados os nomes INCI completos, não as abreviaturas pelas quais os ingredientes se tornam conhecidos nas redes sociais.

Veja a embalagem original

Num salão, os produtos devem ser identificáveis. A embalagem deve permitir perceber qual é a marca, a referência e a lista de ingredientes, ou deve existir documentação do fornecedor que confirme a composição.

Veja a embalagem original

Um frasco sem rótulo, com informação apagada ou cujo conteúdo foi transferido para outra embalagem torna a verificação muito mais difícil.

Isso não significa automaticamente que o produto tenha TPO, mas é uma razão legítima para pedir mais informação.

Procure informação atualizada da marca

Algumas marcas reformularam produtos e mantiveram nomes, cores ou embalagens semelhantes. Por isso, não deve assumir que todas as versões de uma determinada referência têm exatamente a mesma fórmula.

A composição de um frasco antigo pode ser diferente da composição da versão atualmente apresentada no site da marca.

O que interessa é a fórmula da embalagem que está efetivamente a ser utilizada.

Tenha atenção a produtos de origem pouco clara

A verificação merece cuidado adicional quando o produto:

  • foi comprado num marketplace sem vendedor identificável;
  • não apresenta lista de ingredientes;
  • não identifica uma entidade responsável na União Europeia;
  • tem um rótulo ilegível ou incompleto;
  • foi adquirido há vários anos;
  • não permite confirmar lote, origem ou fabricante;
  • é vendido como “profissional” sem documentação clara.

A expressão “uso profissional” não transforma automaticamente um produto num cosmético conforme. Uma marca ou fornecedor continua a ter de cumprir as regras europeias.

TPO, TPO-L e HEMA são a mesma coisa?

Não. Embora os nomes apareçam frequentemente juntos, são substâncias diferentes.

TPO

É o ingrediente abrangido pela proibição:

Trimethylbenzoyl Diphenylphosphine Oxide

Está proibido nos cosméticos na União Europeia desde 1 de setembro de 2025.

TPO-L

TPO-L é uma designação utilizada para outra substância, identificada por nomes como Ethyl phenyl(2,4,6-trimethylbenzoyl)phosphinate.

Apesar da semelhança entre as abreviaturas, não é o mesmo composto químico que o TPO especificamente incluído na proibição de 2025.

Isto não significa que a presença de TPO-L seja, por si só, uma garantia de segurança ou conformidade de todo o produto. Significa apenas que não se deve confundir automaticamente os dois ingredientes.

A conformidade depende da composição completa, da avaliação de segurança, da rotulagem e das condições em que o produto é colocado no mercado.

HEMA

O HEMA, ou 2-Hydroxyethyl Methacrylate, é um metacrilato usado em alguns produtos para unhas.

Não é TPO e não foi abrangido pela mesma proibição. Nos produtos para unhas da União Europeia, o HEMA e o Di-HEMA Trimethylhexyl Dicarbamate estão limitados a utilização profissional e devem apresentar a indicação de que podem causar uma reação alérgica.

O principal cuidado está em impedir que o produto ainda não curado toque na pele. O contacto repetido ou uma aplicação incorreta pode aumentar o risco de sensibilização e alergia aos acrilatos.

Por isso, um produto anunciado como “sem TPO” não é necessariamente “sem HEMA”, “sem acrilatos” ou “sem risco de alergia”.

O que perguntar no salão antes da manicure?

Não precisa de transformar a marcação num interrogatório químico. Algumas perguntas simples são suficientes para perceber se existe transparência e atenção às regras.

Pode perguntar:

  • Os produtos utilizados cumprem as regras europeias atuais?
  • A marca confirmou que estas fórmulas não contêm TPO?
  • Posso ver a lista de ingredientes ou a embalagem?
  • A lâmpada utilizada é a recomendada para este sistema?
  • O produto é removido da pele antes de entrar na lâmpada?
  • Os frascos antigos foram revistos depois da proibição?

Uma profissional informada deverá conseguir responder de forma tranquila ou consultar a informação do fornecedor.

O que perguntar no salão antes da manicure

Pode não saber de memória todos os nomes químicos — e isso é perfeitamente compreensível. O mais importante é que saiba onde verificar, trabalhe com fornecedores identificáveis e não desvalorize as dúvidas da cliente.

Respostas vagas como “todas as marcas têm isso”, “a quantidade é tão pequena que não interessa” ou “podemos gastar porque foi comprado antes” não estão alinhadas com o esclarecimento das autoridades europeias.

Um produto sem TPO torna a manicure totalmente segura?

Não existe uma manicure completamente isenta de risco apenas porque o produto não contém TPO.

Nas manicures de gel, uma das preocupações mais frequentes é a sensibilização aos acrilatos. Esta pode acontecer quando o produto não curado toca repetidamente na pele ou quando a cura não é feita corretamente.

O Comité Científico da Segurança dos Consumidores considera que o HEMA e o Di-HEMA podem ser usados com menor risco quando são aplicados apenas sobre a placa ungueal, evitando totalmente o contacto com a pele envolvente. O mesmo parecer alerta para o risco associado a aplicações incorretas e para a maior exposição das profissionais.

Há vários detalhes que fazem diferença:

O produto não deve tocar na pele

O gel deve ficar sobre a unha, sem inundar cutículas ou laterais.

Quando isso acontece, o excesso deve ser retirado antes da mão entrar na lâmpada. “Curar” o produto sobre a pele não resolve o contacto que já ocorreu.

A lâmpada deve ser adequada ao sistema

Nem todas as lâmpadas curam todos os produtos da mesma forma.

A potência anunciada não é o único fator relevante. O comprimento de onda, o tempo de exposição, o estado da lâmpada e a compatibilidade com a fórmula também contam.

Utilizar uma lâmpada diferente da recomendada pode deixar parte do produto insuficientemente curado, mesmo quando a superfície parece dura.

As camadas não devem ser demasiado grossas

Camadas espessas podem dificultar uma cura uniforme. O exterior pode parecer sólido enquanto o interior permanece parcialmente por curar.

A quantidade e o tempo devem seguir as indicações da marca.

Não se devem misturar sistemas ao acaso

Usar base de uma marca, gel de outra e lâmpada de uma terceira pode resultar em combinações que nunca foram testadas em conjunto.

Misturar marcas não é automaticamente perigoso, mas exige conhecimento técnico e confirmação de compatibilidade. A manicure não deve depender de tentativa e erro.

A remoção também importa

Arrancar gel, raspar agressivamente ou limar em excesso pode fragilizar a superfície da unha e irritar a pele à volta.

Se pretende fazer uma pausa entre aplicações, uma manicure simples, umas naked nails ou umas unhas curtas e elegantes podem manter as mãos cuidadas enquanto reduz a utilização de sistemas de construção.

E os kits de verniz gel para usar em casa?

Os kits domésticos exigem especial cuidado.

O principal problema não é apenas a fórmula. É a combinação entre produto, técnica e lâmpada.

Unhas bonitas

Uma pessoa sem formação tem maior probabilidade de deixar o gel tocar nas cutículas, aplicar camadas espessas, usar uma lâmpada incompatível ou retirar o produto de forma agressiva. A British Association of Dermatologists tem alertado que o contacto do gel não curado com a pele e uma cura insuficiente aumentam o risco de sensibilização aos acrilatos.

Antes de comprar um kit, confirme:

  • se apresenta a lista completa de ingredientes;
  • se identifica a entidade responsável na União Europeia;
  • se a lâmpada faz parte do sistema ou é expressamente recomendada;
  • se as instruções indicam tempos de cura concretos;
  • se o produto contém ingredientes destinados exclusivamente a uso profissional;
  • se existem contactos do fabricante ou distribuidor;
  • se o vendedor é identificável.

Não utilize em casa um produto que indique “apenas para uso profissional”.

Se prefere uma opção mais simples, sem lâmpada e fácil de remover, este guia explica como pintar as unhas em casa quando tem pouco tempo.

Que sinais podem indicar uma reação aos produtos para unhas?

Uma reação alérgica nem sempre aparece apenas junto à unha.

Pode incluir:

  • comichão;
  • vermelhidão;
  • ardor;
  • inchaço dos dedos;
  • pequenas bolhas;
  • pele seca, gretada ou a descamar;
  • unhas a levantar ou a separar-se;
  • irritação nas pálpebras, rosto ou pescoço.

A irritação pode surgir noutras zonas porque as mãos tocam frequentemente no rosto. Foram também descritas reações em zonas que entram em contacto com as unhas já feitas.

Se aparecer uma reação, não tente apenas esconder a zona com uma nova camada de gel. Suspenda a aplicação e procure aconselhamento médico, sobretudo se os sintomas persistirem ou se repetirem após manicures.

Dificuldade em respirar, inchaço significativo ou uma reação generalizada justificam avaliação urgente.

Uma alergia aos acrilatos pode ter implicações para além das manicures, porque substâncias da mesma família também podem ser usadas em materiais dentários, adesivos médicos e alguns dispositivos. Por isso, vale a pena obter um diagnóstico adequado em vez de continuar a testar produtos diferentes por conta própria.

Para profissionais: transparência protege a cliente e o negócio

A proibição do TPO não precisa de ser comunicada com dramatismo. Pode ser uma oportunidade para reforçar confiança.

Uma nail artist pode:

  • confirmar por escrito a conformidade junto dos fornecedores;
  • manter fichas técnicas e listas de ingredientes acessíveis;
  • retirar embalagens antigas ou sem identificação;
  • explicar às clientes que o TPO já não é utilizado;
  • evitar alegações absolutas como “zero risco de alergia”;
  • registar os produtos usados em cada cliente;
  • rever a compatibilidade entre produtos e lâmpadas;
  • encaminhar reações suspeitas para avaliação médica.

Dizer apenas “os meus produtos são TPO free” pode não chegar. A cliente quer perceber que existe um sistema de trabalho cuidadoso, atualizado e transparente.

Para uma profissional de beleza, saber explicar uma alteração regulamentar é também uma forma de demonstrar competência — tal como apresentar claramente os serviços, os cuidados e as condições de marcação.

O que importa confirmar antes da próxima manicure

Não precisa de abandonar o verniz gel por causa da proibição do TPO.

Precisa de escolher um salão que utilize produtos atuais, identificáveis e conformes, que evite o contacto do gel com a pele e que use uma lâmpada adequada ao sistema.

A resposta mais importante continua a ser simples:

As unhas de gel não foram proibidas em Portugal. O TPO foi.

Procure o nome Trimethylbenzoyl Diphenylphosphine Oxide na lista de ingredientes e, quando não conseguir confirmar a composição, pergunte.

Um bom salão não deverá encarar essa pergunta como uma acusação. Deverá encará-la como aquilo que é: uma cliente informada a querer perceber que produtos estão a ser usados nas suas mãos.

Perguntas frequentes sobre TPO e verniz gel

O verniz gel foi proibido em Portugal?

Não. As unhas de gel e o verniz gel continuam a ser permitidos. O que foi proibido nos produtos cosméticos foi o ingrediente Trimethylbenzoyl Diphenylphosphine Oxide, conhecido como TPO.

Desde quando está o TPO proibido em Portugal?

O TPO está proibido nos produtos cosméticos em Portugal e na União Europeia desde 1 de setembro de 2025.

Os salões podem gastar produtos com TPO comprados antes da proibição?

Não. A proibição não criou um período para utilizar ou escoar stock antigo. Desde 1 de setembro de 2025, os profissionais não devem aplicar produtos cosméticos que contenham TPO.

Como aparece o TPO na lista de ingredientes?

Deve procurar o nome completo Trimethylbenzoyl Diphenylphosphine Oxide na lista de ingredientes apresentada na embalagem ou na documentação do fabricante.

TPO e HEMA são o mesmo ingrediente?

Não. O TPO era utilizado como fotoiniciador e está proibido nos cosméticos. O HEMA é um metacrilato diferente, limitado a utilização profissional em produtos para unhas e que pode causar reações alérgicas.

Um verniz TPO free não causa alergias?

Não necessariamente. A ausência de TPO não elimina o risco de alergia a outros ingredientes, nomeadamente acrilatos. A aplicação deve evitar o contacto com a pele e respeitar a lâmpada e os tempos de cura recomendados.

O que devo perguntar no salão?

Pode perguntar se os produtos cumprem as regras europeias atuais, se a marca confirmou a ausência de TPO, se pode consultar a lista de ingredientes e se a lâmpada é adequada ao sistema utilizado.

Informação atualizada em 1 de agosto de 2026

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